Eu não vou correr e nem me esconder.
Por Evertton Baptist, fundador da GL Founders · 02/09/2026
9 meses reconstruindo minha vida e meus negócios.
Durante muito tempo, eu achei que mudar de vida significava encontrar a próxima coisa.
Um negócio novo. Uma ideia melhor. Mais dinheiro entrando.
Uns dois anos atrás eu percebi que estava olhando para o lugar errado.
Eu não precisava de uma rota nova.
Precisava me tornar alguém capaz de sustentar uma.
Eu já tinha resultado. Já tinha projetos colocando dinheiro no meu bolso. Já tinha provado algumas coisas para mim mesmo.
Mas a fome continuava ali.
E demorei para entender que ambição funciona desse jeito.
Ambição dói.
Ela perturba você quando aquilo que existe ainda é pequeno perto daquilo que você consegue enxergar.
O problema é que, quando você vem das ruas, sem mentor, sem padrinho e sem alguém encurtando o caminho, essa fome pode te destruir ou te educar.
Você precisa errar cedo.
Precisa aprender rápido.
E, principalmente, precisa descobrir quais erros não pode continuar carregando só porque se acostumou com eles.
Foi o que eu fiz.
Eu olhei para algumas ideias que amava e aceitei que eram bonitas demais para o pouco dinheiro que colocavam no meu bolso.
Abandonei vícios.
Corrigi rota.
Parei de proteger coisas simplesmente porque tinham sido construídas por mim.
Cansei de viver os mesmos problemas.
Eu queria problemas novos.
Um dinheiro novo.
Uma vida que exigisse outra versão de mim.
Foi aí que comecei uma reconstrução de nove meses.
Três ciclos.
Três meses cada.
Não para inventar um personagem novo, mas para conseguir me afastar o suficiente de quem eu tinha sido e enxergar o que ainda estava me prendendo.
Rompi com uma porrada de crenças.
Comecei a me ouvir mais.
Me dei mais chances de acreditar nas coisas que pareciam grandes demais.
Porque acreditar em mim nunca foi exatamente o problema.
Essa sempre foi minha bala de prata.
O que eu tinha perdido era a capacidade de delirar.
E você precisa delirar um pouco.
Não no sentido de ignorar a realidade.
No sentido de conseguir enxergar alguma coisa antes que existam provas suficientes para todo mundo enxergar também.
Isso é capital mental.
Antes de levantar capital, audiência ou estrutura, você precisa conseguir sustentar uma realidade na cabeça por tempo suficiente para construí-la no mundo.
Eu tinha parado de fazer isso.
Então voltei.
No começo, achei que todo esse processo terminaria com um novo negócio.
Eu estava errado.
O que precisava ser construído era uma nova pessoa.
E essa mudança aconteceu em três movimentos.
Parei de tentar pertencer.
Eu já tinha projetos meus. Alguns solo, outros com pessoas trabalhando comigo. Eles davam dinheiro.
Mas dinheiro, sozinho, já não resolvia.
Eu queria construir algo que me puxasse para dentro.
Algo que me fizesse olhar para o relógio e perceber que a madrugada tinha passado.
Parei de gastar energia tentando entender onde eu cabia e comecei a perguntar:
O que acontece se eu construir o lugar?
Parei de reagir e comecei a construir.
Durante muito tempo, queimei gasolina demais com problema de rua, problema de casa, ansiedade, discussão e pensamentos que não colocavam porra nenhuma de pé.
Era energia real sendo gasta em coisas que não deixavam nada depois.
Então comecei a deslocar essa energia.
Produto.
Marca.
Sistema.
Execução.
Toda vez que possível, eu queria terminar o dia com alguma coisa que não existia quando acordei.
Parei de pensar só no mês e comecei a pensar em ativos.
Minha cabeça costumava funcionar na lógica da proteção.
Garantir estabilidade.
Criar mais uma saída.
Ter outro plano caso alguma coisa desse errado.
Isso me manteve vivo no jogo por muito tempo.
Mas existe uma diferença entre construir para não perder e construir para ganhar.
Hoje eu quero coisas que continuem existindo depois que eu fechar o notebook.
Ativos.
Produtos.
Marcas.
Sistemas.
Propriedade.
Coisas que acumulam.
Foi dessa mudança que começou a nascer meu próprio ecossistema.
A AstonBox e a AstonBoard são partes disso.
Não são apenas produtos que eu queria colocar na rua.
São tentativas de colocar nas mãos de outras pessoas algumas das ferramentas que eu precisei construir sozinho.
Porque talvez essa seja a parte que mais importa para mim.
Eu sei como é olhar ao redor e não encontrar mentor.
Não encontrar padrinho.
Não encontrar alguém vindo buscar você.
E passar tempo demais esperando por isso é outra forma de prisão.
Eu não quero construir pessoas dependentes de mim.
Quero construir coisas que deem a elas mais poder para construir sem mim.
O próprio negócio.
O próprio dinheiro.
A própria saída.
Eu passei anos achando que liberdade significava finalmente conseguir fugir dos meus problemas.
Hoje penso diferente.
Eu quero problemas maiores.
Problemas que só aparecem quando você chegou em lugares onde sua versão antiga não conseguiria chegar.
Por isso eu não vou correr.
E também não vou me esconder.
Dessa vez, eu vou construir.
E se você também cansou de esperar alguém aparecer com a saída, eu deixei algumas das plantas que usei pelo caminho dentro da AstonBox.
O resto é com você.
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