Você Vai Perder Pessoas no Caminho. Isso Não é Tragédia, é Seleção Natural de Negócios.
Por Evertton Baptist, fundador da GL Founders · 30/07/2026
Crescer dói porque ninguém te conta que o próximo nível da sua vida tem capacidade limitada. Não cabe todo mundo. Não porque você escolheu excluir pessoas, mas porque crescimento real exige uma versão de você que a maioria das pessoas ao seu redor ainda não está pronta para acompanhar. E tentar carregar quem não quer ir é a forma mais lenta e dolorosa de não chegar a lugar nenhum.
Constância sempre fez parte da minha vida, não por escolha consciente, mas porque ser atleta não te dá outra opção. Quando você vive dentro de um esporte, aprende a se cuidar, a se conhecer em profundidade e a conviver com pessoas de realidades completamente diferentes da sua. Pobre, rico, branco, preto, magro, gordo, feliz, destruído. O vestiário é um dos lugares mais honestos do mundo porque ninguém consegue fingir por muito tempo quando o cansaço bate.
Essa pluralidade me formou mais do que qualquer ambiente que encontrei depois. Conviver com pessoas de personalidades e condições físicas e mentais tão distintas me ensinou que crescimento humano não acontece dentro de bolhas confortáveis. Acontece no atrito, no desconforto, na exposição ao que é diferente de você.
Quando deixei o futebol e entrei para o mercado digital, eu era novo e o mercado também era. A primeira pergunta não era sobre estratégia ou produto. Era uma pergunta existencial: como eu explico para as pessoas com quem moro que ficar em casa, no quarto, o dia inteiro, é um trabalho de verdade? Esse pensamento parece pequeno, mas ele carrega um peso real. A legitimidade do que você faz começa pela sua própria cabeça antes de chegar em qualquer outro lugar.
Com o tempo e com trabalho diário esse pensamento foi embora. Errei todos os dias, acertei em poucos, mas acertei. E foi exatamente esse processo de produzir constantemente que me fez entender as plataformas, as ferramentas, os limites do que eu podia ou não construir. Me conectei com pessoas importantes, conquistei contratos melhores e desenvolvi uma perspectiva que antes eu simplesmente não tinha condição de ter.
Aprendi a viver em escala. Escalar negócios, faturamentos, fazer planos de crescimento reais e entender que o que eu estava construindo podia impactar famílias, mesmo que ainda pequenas. Essa sensação de se reconhecer crescendo como homem de negócios na acepção real da palavra é uma das mais poderosas que existe, mas ela vem acompanhada de um peso que ninguém te avisa antes.
Quando você é um homem de negócios de verdade, você se expõe à ruína, aos olhos invejosos e aos julgamentos constantes. Se o seu mental não for sólido, controlar isso se torna progressivamente mais difícil. Você precisa entender com absoluta clareza quem você é, o que quer construir e concentrar toda a sua energia em ser genuinamente bom naquilo que se propõe a fazer, vender e solucionar. Sem esse centro, qualquer pressão externa te desorganiza.
Lidar com pessoas é a parte que ninguém romantiza direito. Funcionários, clientes, parceiros. No primeiro momento todos estão contigo, apoiam, incentivam, estão ao redor. Mas chega um momento em que você precisa assumir o controle de verdade e impor limites até mesmo para essas pessoas que, em teoria, estão ao seu favor. E é exatamente nesse momento que você descobre quem realmente está ao seu lado e quem estava apenas aproveitando a maré boa.
Crescer dói porque crescer é abdicar de momentos e de pessoas que você simplesmente não consegue levar para o próximo nível da sua vida. Cada pessoa carrega seus próprios medos, traumas, certezas e limitações. Tentar arrastar alguém para onde você precisa ir, quando essa pessoa não está pronta ou não quer ir, não é lealdade. É perda de tempo disfarçada de afeto. E tempo, dentro de um negócio em crescimento, é o único recurso que você nunca recupera.
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